Saúde do Ser

Entrevistas

Dependência Quimica

Joel Miguez Sobrinho. Assistente Social especializado em tratamento de dependentes químicos. A conexão interior com o que há de melhor na pessoa é o melhor remédio anti drogas e anti violência. O ser humano que se encontra com a sua fonte de paz interior é incapaz de atacar qualquer ser e é feliz. Já somos seres plenos. Estamos na Terra para descobrirmos isso.

Joel Miguez Sobrinho.
Assistente Social especializado em tratamento de dependentes químicos.

A conexão interior com o que há de melhor na pessoa é o melhor remédio anti drogas e anti violência. O ser humano que se encontra com a sua fonte de paz interior é incapaz de atacar qualquer ser e é feliz. Já somos seres plenos. Estamos na Terra para descobrirmos isso.

RS- O que é dependência química?

J- É a sensação de ter necessidade de ficar se expondo ao uso de uma substância externa. A motivação para o uso é psicológica, por apego a efeitos resultantes da experimentação química no corpo humano.

RS- Quando uma pessoa deixou um vício, o que faz ela voltar a usar de novo é o desejo ou existem substâncias no sangue do usuário que despertam nela, a vontade de usar a substância?

J- É comum que o dependente químico deseje reviver os efeitos químicos nele. A química da droga leva o usuário a ter sensações parecidas com a real alegria da vida. Estas sensações são ilusórias e têm repercussões em vários níveis da pessoa que usa substâncias. É uma dependência da vontade. Quem toma a séria decisão de largar um vício, tem todos os recursos em si para deixar mesmo. O tratamento é para trabalhar e resolver questões emocionais que levaram a pessoa usuária a se acreditar necessitado de “complementação exterior”. Normalmente o que as pessoas sentem é um vazio existencial, por desconhecimento da sua maior dimensão, que é a espiritual. A vontade desvirtuada, equivocada, expõe o corpo a uma experiência que tem consequências físicas, mentais e espirituais. Enorme conseqüência social também.

RS- Qualquer droga pode causar dependência química?

J- Segundo a OMS, droga é toda substância que introduzida no organismo vivo altera o sistema nervoso central modifica o humor, o comportamento e as funções do usuário. A ação química da substância, promove uma sensação ilusória de bem estar, que apega certas pessoas ao uso repetido e este uso repetido leva ao aparecimento de diversos tipos de desordens. O desequilíbrio gerado pelo uso das drogas alcança o usuário, em sua saúde física, mental e espiritual. Alcança seus familiares e todo o mundo.

RS- Drogas, por que o ser humano procura o seu uso?

J- Desde cinco mil anos antes de Cristo se sabe da existência das drogas. O seu consumo nesta proporção alarmante é um sério chamado para reavaliarmos os valores transitórios que temos cultuado. Existem estudos sobre o aumento do consumo de drogas pós revolução industrial e a mudança nas relações humanas que se tornaram mais distantes. O foco da vida passou a ser a produção de bens para consumo. A atenção do ser humano voltada exclusivamente para valores irreais, é um comportamento que precisa ser reavaliado e transformado, para não expandirmos mais ainda este mal, que às vezes parece até não ter solução, mas tem.

O indivíduo geralmente quer mudar o seu estado de estar e de sentir, porque apresenta um sofrimento e recorre a um “complicador”. Desorientado, procura um meio artificial para resolver um problema real. Não é a solução. Muitos usuários têm esta ilusão: “meu corpo está pedindo a substância”. Ele que não está exercendo o poder da sua decisão e vontade, que já existe nele.

O ser humano tem um enorme potencial que fica sendo desperdiçado por falta de orientação para um fim construtivo. Atualmente em muitas pessoas o potencial está sendo desperdiçado exatamente pelo uso de drogas, que ilusoriamente parecem até que dão mais inteligência, como muitos usuários alegam. A sensação de inteligência é ilusão e um motivo para defender o uso, que com exposição frequente traz a dependência com seus efeitos maléficos na saúde individual e social, como estamos vendo.

RS- Em que se baseia um tratamento eficaz?

J- O tratamento que propomos no Viver Espaço Terapêutico, é familiar, humanista e transpessoal. A dependência química traz transtornos em muitos setores e precisamos no tratamento ser abrangentes para despertarmos no usuário, a vontade de uma vida nova, sem drogas. Uma vida com muito mais liberdade. O dependente está iludido em relação à crença de que a droga toma conta da vontade dele e que ele precisa usá-la. Isto traz muitas situações envolvendo sofrimento enorme para os familiares, que passam a ser co-dependentes. O usuário é estimulado a se reconhecer um ser valoroso que não pode se desperdiçar privando o mundo de conhecer seus talentos, vivendo com um comportamento modificado pelo uso de substâncias. A família, muitas vezes sem saber como lidar com a situação, até agrava mais ainda o problema , facilitando o uso das substâncias por parte dos usuários. Estes precisam esclarecimentos para fazerem escolhas mais úteis para eles e para o mundo. Quem usa drogas precisa é se livrar disso transformando a consciência, através da descoberta de novos valores reais, como por exemplo uma relação saudável com sua família, que deixará muitas vezes de ser sua refém. Cada caso é único e o tratamento vai ser de acordo com as dificuldades de cada pessoa e familiares.

Geralmente o tratamento inclui aquisição de novos conteúdos de consciência tanto das potencialidades do ser humano livre, quanto conscientização dos malefícios das drogas.

RS- Drogas, por que não usá-las?

J- O ser humano com tanto potencial para desenvolver coisas boas, construtivas, pode no uso de drogas que não trazem coisa alguma construtiva? Somam ilusão ao já ilusório estado da pessoa que busca o uso. O uso crônico, altera as funções do corpo, podendo aparecer diversos sintomas físicos associado a comportamentos e disposições emocionais alteradas por efeitos de substâncias. Apetite voraz por exemplo é um dos efeitos colaterais da maconha. É frequente depressão entre usuários de drogas. Substâncias que têm um poder de alterar até os pensamentos, modificam outras funções junto. Quanto menos experimentações fizermos com nosso corpo físico neste sentido de deixá-lo exposto a efeitos que podem revelar surpresas diagnósticas, melhor. Já se sabe da frequência mais elevada de câncer de pulmão entre usuários de maconha, dificuldades de memória, entre outras complicações limitantes.

RS- Por que dizem que as drogas podem inspirar a pessoa e abrir-lhe os canais, o que quer dizer isto?

J- Este que se avalia criativo usando a droga, com certeza seria muito mais sem ela, que longe de ser facilitador é um bloqueio na vida da pessoa. Se experimentar retirá-la e tratar o “vazio emocional” que o levou a procurar este canal enganoso, vai gostar da nova opção.

Já acompanhei pessoas, que sob o efeito de drogas, elaboraram estratégias de salvação do mundo e mil planos que elas mesmas consideravam grandiosos, que nunca se realizaram e que nem eram mesmo viáveis. Elas experimentam uma expansão que não é real e não se concretiza. O que é isso? Ilusão. Gasto de tempo, de energia e exposição do corpo físico a agentes que podem desencadear desequilíbrios sob a forma de sintomas. Muita gente chama a maconha de droga leve. Na prática se observa falta de motivação em usuários crônicos.

Energeticamente, ocorre abertura de percepções, que as pessoas não estão prontas para lidarem com isto e passam a ter mais desequilíbrios.

O usuário é uma pessoa que precisa de ajuda. Dizemos que a dependência a drogas é um processo destrutivo, estamos vendo tanta consequência devido a tanta gente ser usuária, e auto destrutivo.

RS- O que fazer com o usuário que se recusa a receber tratamento?

Situação frequente, é o usuário não se reconhecer necessitado de ajuda. Há muita negação que se esteja dependente de usar repetidamente uma substância, pensando que irá se sentir melhor., ou até que não tem jeito de parar.

J- A família, que também está em sofrimento, deve procurar ajuda. No Viver Espaço Terapêutico, ninguém fica sem atendimento, mesmo aquelas famílias que não têm condições de pagar pelo serviço. A família recebe orientação de como se relacionar da melhor forma possível, para tentar sensibilizar o usuário a se entregar a um trabalho que pode ajudar a ver e querer novos valores, que demonstrem a eles que a busca por drogas apenas soma problemas aos já existentes. Não é solução para coisa alguma.

RS- O que o senhor acredita que é mais eficaz para ajudar a prevenção? Quando se deve falar no assunto com as crianças?

J- O esclarecimento sobre o prejuízo das drogas para o indivíduo e para a coletividade, é importantíssimo para a prevenção. A valorização da vida humana reforça a idéia de que é muito desperdício arriscar-se ficar doente para ter umas sensações de bem estar passageiro e irreal. As crianças hoje em dia estão sendo apresentadas às drogas muito cedo, o que agrava mais ainda o problema da dependência. Sempre os responsáveis devem acompanhar bem e orientar as crianças, principalmente com o exemplo e responder-lhes com a verdade à menor demonstração de interesse. As escolas todas precisam estar interessadas em prestar um serviço de orientação para prevenir e devem ter uma postura não preconceituosa para não atrair mais afastamento. Inúmeras famílias escondem seus usuários sentindo-se culpada. A doença dependência química tem tratamento e é fruto da ação de toda raça humana que vem se afastando de valores verdadeiros dignos do ser humano, o amor a caridade. A dependência de drogas tem cura, e é motivo para se procurar ajuda e não para se esconder por trás de inúmeros preconceitos e falta de informação, sérios agravantes do problema.

RS- como o senhor se interessou em se especializar no tratamento de pessoas com dependência química?

J- É um trabalho que adoro fazer, a gente vê que realmente dá resultado. Quando eu era estagiário, estudante de serviço social, fui fazer um estágio no manicômio judiciário. Sempre fui muito interessado em estudar a mente humana. Dediquei-me profundamente neste estágio, acompanhei um paciente que era dependente de várias drogas, conheci a família dele somos amigos até hoje e ele se recuperou totalmente. Acompanhar este paciente serviu para chamar minha atenção para a força que é fazer um trabalho de ajuda ao ser humano. É muito sofrimento que acarreta o uso de drogas e a recuperação do indivíduo realmente me traz muita alegria.

RS- Muito bom entrevistar o senhor. Senti que o senhor realmente coloca amor neste trabalho. Aprendemos muito com esta entrevista! Que mensagem final o senhor quer deixar para os felizardos leitores da Revista do Ser?

J- Não estamos sozinhos. Os usuários não estão sós nem suas famílias estão. É importante é útil recebermos ajuda passarmos para as pessoas a importância enorme da atenção para os valores reais, para o cuidado de esclarecer que o melhor é nem se aproximar de drogas.

Joel Miguez Sobrinho.
Assistente Social especializado em tratamento de dependentes químicos.
Formação em S. E. (Somatic Experience)
Acompanha pacientes no consultório e internados.
Acompanha também familiares de usuários de drogas.
Trabalha no Viver Espaço Terapêutico. 71 345608

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